Da vinda do Lama ao Brasil
Dalai Lama é um sujeitinho amigável, simpático e calmo. Prega que a pessoa deve pensar muito antes de mudar de religião, pois o budismo enfrentou problemas com recém convertidos cuja raiz ocidental de cultura falou mais alto. Escreve best-sellers de auto-ajuda para executivos, cobra R$ 120,00 por pessoa para uma palestra no Brasil, e, repito, fala do problema da "raiz ocidental" para o verdadeiro budista.
O budismo teve uma expansão no Ocidente porque, além de ter sido deveras alardeado pela mídia, não possui uma visão cosmogônica que seja negada pela ciência moderna. E óbvio, o budismo tem o Dalai Lama. Assim, o executivo moderno, sem tempo para essa futilidade que chamamos de religião, pode comprar um livro e assistir a uma palestra para se religar com o divino. Tudo muito limpinho e prático, descartável, bem ao gosto ocidental.
O crescimento do budismo, como religião, e da China, como país, representa, no mínimo, uma quebra da ideologia ocidental no terreno em que o Ocidente sempre prosperou: mídia e economia. O que será do lado oeste do mundo é uma pergunta que, desde o onze de setembro, continua válida. Dalai Lama é a face pacífica da moeda cuja outra face é Bin Laden. Ambas sorriem nos demonstrando que, ou nos reformamos, ou, na ordem mundial globalizada, o papel do Ocidente pode ser bem menor do que se imaginava.

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