segunda-feira, abril 03, 2006

Em breve, no cinema mais próximo...

Senhoras e senhores, V de Vingança, o filme, estreará nesta sexta, dia 7. Muito aguardado de minha parte, o filme é a adaptação da HQ homônima, publicada originalmente ao longo dos anos 80, na Inglaterra. Anos 80 em que, hão de se lembrar, a dama de ferro mandava no Reino Unido e EUA e URSS disputavam o mundo.
Com o cenário político deveras sombrio como esse, Alan Moore pôs-se a matutar na feitura de uma metáfora quadrinhística (?!), dando-nos uma das primas obras da arte sequencial.
V (o protagonista), veste-se como o sujeito que, nos idos do século XVII, tentou explodir o parlamento inglês. É culto, anarquista, e, acima de tudo, luta pela liberdade, atuando, inclusive, como um terrorista se preciso for. E aqui há um dos conflitos que podem ser tirados da história: o que diferencia o herói de um terrorista, se ambos são capazes de matar ou morrer por uma causa, usando o terror, geralmente atuando fora do âmbito legal, cada um crendo que seu ponto de vista é o único correto?
Hércules, por exemplo, nunca foi autorizado legalmente a cumprir algum de seus trabalhos; creio até que tenha sido o maior terrorista do mundo, pois, imagine o pavor causado por um sujeito que, entre outras coisas, é capaz de invadir uma propriedade privada divina (o Hades), e, ainda por cima, roubar um "objeto" de lá (Cérberus), tudo a pedido de um rei.
O leitor há de pensar que isso é coisa de mitologia grega, dos antigamentes, mas não. Exemplos de cavaleiros transgredindo normas são vastos não só na literatura medieval como também em sua história. Os Templários, durante as cruzadas, tinham verdadeiras bases militares para manter a ordem que julgavam correta. Nos tempos atuais, Batman é o típico modelo de terrorista, pouco se importando para a opinião pública, os direitos humanos e as leis. Tudo o que lhe importa é espancar uns "vilões" e "salvar" sua cidade.
V de Vingança (pelo menos nos quadrinhos) deixa claro essa frágil linha entre terrorismo e heroísmo. Se a História é sempre contada pelo lado vencedor, o herói é o terrorista que deu certo. V pode ser o primeiro blockbuster pró terrorismo num mundo pós 11 de setembro. E só por isso creio que compensa a minha e a vossa ida ao cinema. Imagine então se o filme for bom.