Escritos Semanais - I
A mim foi dada a honra de iniciar as “postagens semanais” – ou seja lá como chamá-las-emos – do Las Paroles. Semanalmente, haverá um “post da semana”, escrito por mim, Fabrício ou Shamir, sempre em rodízio.
Começarei falando de um tema que, hoje, é o meu preferido. Camus tem seu Absurdo; Kant sua Razão Pura; Sartre sua Existência; eu tenho minha Solidão. Desde muito tempo, essa temática desperta em mim um certo incômodo, uma certa vontade da busca por razões (ou desrazões) da sua existência, de como ela age em cada Ser.
Muitos acreditam que a Solidão só existe quando um determinado Ser não tem nenhum outro companheiro de determinada espécie ao seu redor, como, por exemplo, uma pessoa no meio de um deserto. Mas será mesmo que é só assim? Será que só deste modo podemos afirmar com todo o empirismo que a pessoa é solitária? Será que a definição de solidão que tem perpassado pelos tempos ainda é tão segura, depois de tantos filósofos, artistas e literatos terem debruçado sobre ela?
Penso que haja solidões, no plural mesmo. Há aquela senhora no supermercado que compra o pão e olha absorta para o nada; as pessoas esbarram nela, ela vira na esperança de um pedido de desculpas mas a pessoa simplesmente passa; o homem que pede dinheiro na rua, sentado na calçada, e quase nunca é ouvido. Pensem: por mais que este homem peça dinheiro acompanhado de uma outra pessoa, não será uma sensação de abandono existencial falar e simplesmente nem mesmo olharem pra ele? Há o poeta, recluso no seu Eu, no seu mundinho – este é aquele que busca a Solidão para dela fazer um mundo totalmente novo, muitas vezes avesso à Solidão a qual ele busca pra seu intelecto acordar. O executivo rico, rodeado de mulheres, “amigos” – uso as aspas aqui pois, neste caso, normalmente quando vai-se o dinheiro, vão-se os “amigos” – que, à noite em sua cama, sente o aperto gélido e angustiante da sua Solidão.
Hoje, as barreiras de comunhão com os seres tornaram-se mais altas e mais intransponíveis. Há inúmeras maneiras de amenizar o sentimento da Solidão, mas creio que ainda exista muito para aprendermos e entendermos em relação a isso.
Este foi um pequeno texto que lá na frente, posso vir a negar e reescrever ou confirmar e aumentar, porém, essas são algumas de minhas atuais impressões desse mundo Solitário.
Abraços.

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