Violência
Cá estou eu, Jaiminho, retornando ao Las Paroles. Este texto que segue foi escrito em 1999, para um trabalho da escola, mas eu gostei do que escrevi porque ficou meio jornalístico e resolvi estrear minhas postagens semanais com esse. Abraços!
Avançam cada vez mais os índices de violência nas periferias das grandes cidades. Segundo dados do Jornal “Folha de São Paulo”, classificando os 100 municípios mais violentos do Brasil, em primeiro lugar está Diadema, em segundo Floresta (PE), em terceiro está a cidade de Serra (ES), em quarto Belém de São Francisco (PE), em quinto Embu (SP)... Das 100 cidades brasileiras mais violentas, 74 estão em três Estados: Pernambuco (28), São Paulo (26) e Rio de Janeiro (20). Quais são os motivos que fazem com que essa violência nunca pare de aumentar? Será que as pessoas já nascem más? Ou será que são condicionadas a lavagem cerebral diária mostrada na televisão, imposta pela classe social mais privilegiada economicamente?
A globalização da miséria, as profundas e inesgotáveis diferenças sociais, os enormes e infindáveis índices de desemprego, uma parcela da população passando fome, a falta de perspectiva de vida que existe entre as classes menos abastadas, a falta de saneamento básico (fazendo com que milhares de pessoas convivam com esgotos a céu aberto, com que as crianças peguem doenças, etc.), estas são as causas da violência, pois para toda ação existe uma reação contrária de igual ou, como nos nossos dias, maior. A violência só gera violência.
As pessoas não nascem más, as suas condições é que as tornam como são. Será que se milhares e milhares de jovens tivessem condições de uma boa educação, alimentação, saúde e lazer estariam nesta onda de violência em que estão inseridos? Se a mídia não publicasse que “quem não tem nada é”, estimulando inconscientemente (?) a violência, que quem não tem carro ou tênis importado é um zé-ninguém, um lixo, talvez hoje o problema não fosse tão sério.
Hoje, infelizmente, se comete algum ato de violência por motivos idiotas. Nada justifica a violência, é claro, mas motivos absurdos estão acabando com famílias inteiras. E tem mais: violência não é só a violência agressão. Todo tipo de preconceito é violência. Preconceito é um tipo de violência social, um tipo de violência que às vezes passa despercebido, fazemos sem notar. O que faz com que os preconceitos aumente são as enormes diferenças entre as classes sociais, o que faz que, consequentemente, aumente a violência. Essa cultura do consumo desenfreado faz com que cada vez mais nosso povo se mate entre si. Enfim, enquanto houver a exploração do homem em cima dos próprios homens, enquanto houver acumulação de capital nas mãos de poucos, haverá a violência.

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