segunda-feira, junho 19, 2006

Daquilo que Move o Mundo

A vida na cidade é uma coisa deveras abençoada. Aqui temos a facilidade de ter tudo ao alcance das mãos, desde serviços de primeira necessidade, como hospitais, bombeiros, etc., até os mais supérfluos, como táxi para cachorro, adestrador de pássaros, etc.. Isso sem falar na velocidade de entrega das coisas: aqui não se fala em meses ou semanas, aqui se fala em horas e/ou dias. No máximo. Mas o interessante mesmo é a pressa. Pressa que acelera as decisões importantes, que pesa os pés nos aceleradores, que fricciona as mãos nas manoplas das motos, que esquece filhos dentro de carros em estacionamentos, que desespera pessoas simples. E, afinal, pra que tanta pressa, não é mesmo?
Estranho pensar nisso, pois se repararmos bem, a verdadeira máquina do progresso não é a pressa e, sim, a preguiça! Sim, isso mesmo, caro leitor: a preguiça. É ela quem faz o homem pensar em meios de diminuir o esforço, daí é que surgem as grandes invenções. Não acedita? Veja um exemplo bem antigo: por não querer mais andar e peregrinar sempre que acabava a comida em algum lugar, o homem primitivo aprendeu a cultivar alimentos e trabalhar a terra, assim não precisava sair do lugar aconchegante que encontrara. Esse exemplo não basta? Ok, leitor incrédulo, aqui vai outra mostra dessa minha "tese": um aparelhinho que você deve usar todos os dias e nem se dá conta chamado controle remoto. Simples né? Pois é, talvez você nem saiba trocar os canais de sua TV sem ele, se é que tem como fazer isso sem ele, pois alguns aparelhos já não trazem mais aqueles botões abaixo da tela. E como será que surgiu esse aparelhinho? Da nossa diletíssima amiga, sim, a preguiça! Para não levantar do sofá toda hora, alguém abençoado inventou esse controle. E hoje, você imagina sua vida sem isso?
Mas não para por aí não viu! Veja mais: o automóvel, a motocicleta, a cadeira, os serviços de Correios, a Internet, a máquina de escrever, o computador, o telefone, o celular, a calculadora, a luz elétrica...
Portanto, demos graças àquela que todos os dias pela manhã nos assola em nosso leito, impedindo-nos com uma força sobre humana de levantarmos no horário, principalmente nesse friozinho dos últimos dias... mas é por ela que o homem evolui. Ou não...