Olhares
Ele no ponto. Ela no ônibus. Os olhares, até então perdidos, se encontram. E sem saberem como, ali ficam...parados... dois olhares... apenas se olhando. O dela descansado, sem compromisso. O dele preocupado, à procura. Mas ao se cruzarem, tudo muda... o dela torna-se atento e o dele terno, suave. Um tipo de olhar diferente é o deles. Um olhar que só procura o outro olhar e que não vê mais nada; rosto, corpo, roupas... nada disso importa, pois o que fica, realmente, é o olhar. Um olhar maduro o dele, seco, cansado. Já o dela é jovem, tenro, sonhador. Um mundo a descobrir se revela nesse olhar, que pode, e deve, ter uma dona ainda mais encantadora. Um rosto angelical, com lábios macios e bochechas coradas, quem sabe... mas não, nunca saberei porque o olhar dele só procurou e achou o olhar dela, mais nada... e isso é o bastante para encher esse peito amargo: só esse olhar... É uma pena, mas aquele olhar se foi... durou o tempo bastante para se tornar inesquecível. Silencioso e simples, quase ningúem que estava em volta percebeu o que havia acontecido naqueles breves instantes, como aquilo era importante para dois seres, ou pelo menos para esse um. Só esse olhar, que por poucos segundos aconteceu, que poucos segundos durou, teve a capacidade de aliviar esse peito, esse corpo cansado, esse olhar duro, dando ao seu detentor um semblante mais plácido, sereno, além dos outros que se vêem ao seu lado. Quanto tempo durou? Menos de 10 segundos. Por quanto tempo ficará guardado? Por, pelo menos, uma vida. Como eu sei disso tudo? Simples: eu sou o coração desse olhar... 
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