domingo, junho 25, 2006

Europa européia

A Copa do Mundo vai ser manipulada, batata. A Fifa não quer que o Brasil ganhe a taça, pois o futebol teria uma hegemonia, digamos, muito hegemônica. O futebol perderia a graça, o torcedor, o interesse, e a Fifa, o dinheiro. O Brasil, se ganhar, terá seis títulos mundiais e a Copa de 2014 em casa, o que, na prática, quer dizer que ficaremos com o hepta nas mãos; esta Copa vai ser dos europeus.
Desde que o mundo é mundo, tirando o Mundial conquistado pelo Brasil em 58 na Suécia, Copa na Europa é vencida por europeu. O Uruguai venceu uma Copa em casa e outra no Brasil; a Argentina venceu em casa e no México; e o Brasil venceu no Chile, no México, nos EUA e no Japão/Coréia. E esses são os únicos países não europeus a vencer o mundial da Fifa.
Entre os europeus participantes, em tese, a Fifa teria mais interesse que ou Alemanha, ou Inglaterra ou Espanha vencessem. Isso porque são os melhores mercados de futebol, e a Itália anda passando por uma crise de fraudes em seu campeonato; portanto, não pegaria bem para o esporte que um país com tais irregularidades vencesse. Então, vai por mim, e no bolão mais próximo crave o seu palpite em uma dessas três seleções citadas.

segunda-feira, junho 19, 2006

Daquilo que Move o Mundo

A vida na cidade é uma coisa deveras abençoada. Aqui temos a facilidade de ter tudo ao alcance das mãos, desde serviços de primeira necessidade, como hospitais, bombeiros, etc., até os mais supérfluos, como táxi para cachorro, adestrador de pássaros, etc.. Isso sem falar na velocidade de entrega das coisas: aqui não se fala em meses ou semanas, aqui se fala em horas e/ou dias. No máximo. Mas o interessante mesmo é a pressa. Pressa que acelera as decisões importantes, que pesa os pés nos aceleradores, que fricciona as mãos nas manoplas das motos, que esquece filhos dentro de carros em estacionamentos, que desespera pessoas simples. E, afinal, pra que tanta pressa, não é mesmo?
Estranho pensar nisso, pois se repararmos bem, a verdadeira máquina do progresso não é a pressa e, sim, a preguiça! Sim, isso mesmo, caro leitor: a preguiça. É ela quem faz o homem pensar em meios de diminuir o esforço, daí é que surgem as grandes invenções. Não acedita? Veja um exemplo bem antigo: por não querer mais andar e peregrinar sempre que acabava a comida em algum lugar, o homem primitivo aprendeu a cultivar alimentos e trabalhar a terra, assim não precisava sair do lugar aconchegante que encontrara. Esse exemplo não basta? Ok, leitor incrédulo, aqui vai outra mostra dessa minha "tese": um aparelhinho que você deve usar todos os dias e nem se dá conta chamado controle remoto. Simples né? Pois é, talvez você nem saiba trocar os canais de sua TV sem ele, se é que tem como fazer isso sem ele, pois alguns aparelhos já não trazem mais aqueles botões abaixo da tela. E como será que surgiu esse aparelhinho? Da nossa diletíssima amiga, sim, a preguiça! Para não levantar do sofá toda hora, alguém abençoado inventou esse controle. E hoje, você imagina sua vida sem isso?
Mas não para por aí não viu! Veja mais: o automóvel, a motocicleta, a cadeira, os serviços de Correios, a Internet, a máquina de escrever, o computador, o telefone, o celular, a calculadora, a luz elétrica...
Portanto, demos graças àquela que todos os dias pela manhã nos assola em nosso leito, impedindo-nos com uma força sobre humana de levantarmos no horário, principalmente nesse friozinho dos últimos dias... mas é por ela que o homem evolui. Ou não...

segunda-feira, junho 12, 2006

Verde e amarelo

O país verdeamarelou. É interessante observar como o patriotismo surge em época de Copa. E não é muito difícil entender o que acontece, vejamos: nós, brasileiros, sofremos o ano todo com essa política corrupta, com essa pobreza que não termina, com a violência que toma café da manhã, almoça e janta à nossa mesa, ou seja, a Copa é a nossa fuga; é o Panis Et Circensis de hoje - acho que comentei isso num post do Shamir. O futebol é algo em que, perante o mundo, somos os melhores, os bam-bam-bans; que mal tem esquecer de tudo pra nos afirmarmos, nos vangloriarmos em ser melhor que os EUA, que a Europa, que o Mundo?! O problema é que não enche barriga - bom, não as nossas, as do jogadores já é outra história -, e que não resolve nenhum dos problemas "nostrae Terrae Brasiliae".
Penso que esse patriotismo deveria ser usado nas eleições, na política, em tudo o que oprime o tão sofrido povo brasileiro; que deveríamos gritar pelos nossos direitos, pela nossa honra tão forte quanto queremos gritar "é campeão" pela sexta vez.
Por enquanto, deixo os problemas descansando, afinal, é Copa - e eu sou brasileiro.
Abraços

terça-feira, junho 06, 2006

Do encontro

O demônio chegou-se para mim e disse "Iblis, o Shaitan. Prazer". Ao que repliquei que "Mas... o demônio não era Lúcifer?", "Pois é, sabe aquilo de Alá como o único deus e Maomé como seu profeta? Tudo verdade. O demônio é muçulmano".
Temi: pior que descobrir que o demônio existe, é descobrir que ele é d’outra religião. Tal fato quer dizer que, simplesmente por ter uma fé divergente, você viverá a danação eterna. "Mas oras, óbvio. Esse é o problema da religião: se qualquer uma estiver realmente certa, todas as outras estarão realmente erradas. E pronto: a maioria da população mundial está condenada à danação eterna, seja por condições espaço-temporais, seja por condições sócio-culturais. Aquele que verdadeiramente crê na salvação, não acredita nem em religião, nem em Deus, que é faceta desta". "Fala propícia, vinda de ti". "Nada, sempre achei Alá sacana. Por que não aparecer pessoalmente a todos e dizer: 'ó rapaziada, o Maoma aí é meu truta e tá certo'? Por que Ele não explicita diretamente o que vocês devem fazer ou não, como fez com Adão e Eva? Para que testar a fé?". "Porra".
"Então, Alá é sacana. Muito que venho matutando nesses preceitos e cheguei à seguinte conclusão: Ele assim o é porque assim o foram com Ele. Veja você: Alá sempre existiu; mas, como se sabe que Ele sempre existiu, se foi Ele que criou o tempo? Como é possível medir o não-tempo? E se Alá foi criado por um outro Alá, Alá de Alá, criador do não-tempo ao qual Alá pertence? Imagine o medo Dele, existindo, mas sem saber se sempre existiu. E então, Ele cria o mundo, o tempo, o vir-a-ser. E quando cria, gera, toma um ato. E quando toma um ato, movimenta-se, faz uma ação, participando, assim, do vir-a-ser. E deixa de ser eterno, o estático: assim como participa do vir-a-ser, participa do vir-a-não-ser. Eis aí: Alá pode morrer”. “Caralho”.
Aí, o piormente: o que acontece com Alá quando Ele morre? Vocês não sabem, mas eu conto: Alá já acreditou nas muitas religiões, pensando nisso de vida após a morte. Foi judeu, pensando que viria um messias para O salvar; já foi ateu, mas, como deve imaginar, ser ateu, para Ele, é negar a própria divindade. Ultimamente anda agnóstico, mas sabe-se lá quando vem a próxima mudança”. “Deus é religioso, a única religião é a não religião... o que mais?”. “Gabriel... o seu Gabriel é jainista. Para mim, essa é a religião mais louca que um anjo pode ter”. “E Cristo?”. “Isa? Cristão. Só que agora ele é filho do Alá do Alá”. “Diabos...”. “Não. Iblis, muçulmano. Prazer”.