quarta-feira, agosto 23, 2006

Tolkien


"You shall not pass!"
Essa frase é muito conhecida pelos admiradores de J.R.R Tolkien. Outro dia, eu estava revendo os filmes do "Senhor dos Anéis" e pensei em escrever alguma coisa sobre. Acho que algumas vezes, há uma certa injustiça com a obra do escritor. De fato, a narrativa de seus livros é demasiado lenta e muitas vezes cansativa, mas tomo a liberdade de chamá-lo de gênio. Gênio pois criou um mundo, religiões, mapas, alfabetos - inclusive fonéticos -, poemas, músicas, mitos etc; gênio pois soube criar tudo isso, todo esse novo a partir de coisas do nosso mundo, nossas religiões; a obra do escritor inglês é completa. Nela, podemos ver quão vasto é o conhecimento de Tolkien em mitologias, pois ele usa um pouco de cada uma pra criar a sua. Creio que é no Silmarillion - que ainda não li - que isso fica mais evidente, mas mesmo no Senhor dos Anéis há um pouco.
Gosto do Tolkien pela ousadia e pela autoridade com as quais ele criou a Terra Média. Ele pensou muito bem em todos os aspectos, tanto que é possível acreditar que "isso aconteceu um dia". Tolkien fez a Terra Média e seus povos terem início e evoluírem, como o nosso mundo "real" mesmo; os elementos tolkianos não brotaram do nada.
Professor de Anglo-Saxão (que, pra quem não sabe, era o idioma falado na Inglaterra, depois da invasão dos Jutos, Anglos e Saxões. Uma língua basicamente baseada em sons e grunhidos. O inglês que hoje conhecemos é uma mistura de Latim, Anglo, Saxão, Germânico e Francês.), Tolkien criou idiomas lindíssimos - e complexos. Os nomes até soam um pouco como os nomes e palavras dos povos bárbaros (Arathorn, Aragorn, Gorgoth, Gollum, Fangorn).
É esse tipo de coisa que dá mais verossimilhança às coisas, mesmo que no fundo elas sejam apenas uma mistura de todos os nossos mitos, sonhos, desejos, medos e atitudes.
Recomendo a leitura dos livros de Tolkien. É uma boa leitura e um bom exemplo de qualidade e seriedade no que se faz.
Abraços

segunda-feira, agosto 14, 2006

Dia Dos Pais


Pois é, fino leitor, esse dia dos pais teve um quê de diferente, você não achou? Bom, pra mim foi um pouquinho diferente. Como nos outros anos, pais foram presenteados, homenageados e vangloriados. Porém, nesse ano não foram anotadas gigantescas filas em restaurantes da cidade e talz. Existiam as filas sim, claro, mas não como antes. Reflexos, talvez, das promessas de um grupo já nosso conhecido que ultimamente vem pululando as manchetes dos jornais paulistas. É isso aí, meus amigos, o PCC pode ter estragado o feriado não só dos pais que queriam comemorar, como também de outros pais que queriam ficar tranquilos em suas casas, e de outros cidadãos que nem pais são!
Esse blogueiro que agora vos escreve estava decidido a levar seu querido pai a passear e conhecer um novo integrante da família, um bebezinho recém-nascido, filho de uma prima. Assustado com o jornalismo da sexta, que noticiou que esse grupo faria ataques no fim de semana, decidimos ficar em casa. O engraçado (?) é que alguns deles foram soltos pelo tal do "induto" de dia dos pais, para passarem o feriado ao lado dos seus respectivos progenitores. Agora, o engraçado mesmo, é que os pais de alguns liberados já morreram há longos anos... um até foi vítima do próprio filho!
Na sexta, um amigo comentava: "putz... mó mancada. Tava no trem hoje e um cara tava comentando sobre o induto, daí emendou essa: 'Porra, eu não sou bandido e não vou passar o dia dos pais com meu pai: eu vou ter de ir trabalhar. Isso é justo?" Daí eu me pergunto: é justo isso?
Ultimamente fui tomado por um sentimento de paternidade incrível! Não sei porquê, de verdade, mas tive notícias de muitos recém-nascidos ultimamente, talvez seja isto. Acho que 4, na verdade: Pedrinho; o filho da minha prima; o filho do Denílson; o filho da Jane (esse eu segurei nos braços!). Acho que isso despertou em mim um quê de preocupação com o mundo que está sendo deixado para as gerações futuras, para os filhos dos pais atuais...não somente com relação à segurança, mas também com a natureza e com os valores humanos... logo eu, que tenho uma vontade incomensurável de ser pai e babar nos filhotes e chorar e rir com eles, fico agora na dúvida: será que vale a pena dar ao mundo um rebento meu? Eu ainda acho que sim, pois esse rebento ´pode ser uma semente, ou mesmo um fruto da mudança...
Abraços!

quarta-feira, agosto 02, 2006

Deus e o Herói

Deus e o HeróiEm primeiro lugar, me perdoem os caros leitores pela demora - essa semana está complicada aqui no trabalho e só consegui uma brechinha agora, pra escrever!

Assisti Super-Homem, o Retorno, no sábado. Achei bacana, sinceramente. As pessoas têm dito que o filme é fraco, que não é tão bom, que não sei o que, que não sei o que lá. Creio que esse comentário nasceu pois o filme não é porradaria o tempo inteiro; há uma história ali pra ser contada, e isso é bem feito. Durante o filme, flagrei-me pensando em algo: seria o Super-Homem uma metáfora de Deus? Vejam só (Shamir, por favor, corrija-me caso fale alguma bobagem, afinal, nosso especialista em Quadrinhos e Mitos comparados é você!):

- ele é extremamente forte, praticamente imortal (esqueçamos a Kriptonita);
- é quase que onipresente, dada a sua velocidade;
- suas intenções são de fazer o bem, proteger a terra e ajudar a todos;
- é quase que onisciente também, visto que escuta tudo (vale mencionar uma cena no filme em que o Super-Homem está com Lois muito alto, no limite entre céu e o espaço. Olhando pra baixo, diz ("eu escuto tudo...").

A mim me parece que o criador do Super-Homem se perguntou, ao criar a personagem: "como seria Deus personificado, como seria o Jesus moderno"? O Super-Homem assume características e ações dignas de Deus e do Messias. Sempre está disposto a morrer pelo mundo, mesmo que as pessoas tenham uma mentalidade egoísta e idiota; é "bom" com todos; trabalha como qualquer outro - assim como Jesus fez -; etc etc etc. Não sei se viajo muito, mas em mim ficou essa impressão.

Talvez todo herói - principalmente de histórias em quadrinhos - seja uma personificação dessa força maior chamada Deus; como se Ele um dia acordasse e dissesse: "vou dar um jeito nessa bagunça que tá lá embaixo!".

Abraço!

Em tempo: ouvir aquela musiquinha clássica na abertura foi muito bacana!!