terça-feira, julho 25, 2006

O ego da miss

A eleição da Miss Universo sempre me deixa um gosto amargo na boca, um indício de que nossa sociedade não anda lá muito bem das pernas. E nesse ano não foi diferente.
Fico pensando em como é a cabeça daquelas garotas maravilhosas, deslumbrantes, sinônimos de beleza, e que, por isso mesmo, dedicam uma vida inteira a concursos de belezas. O que, além do dinheiro, as faz disputar tais concursos? A arrogância? Será que possuem um ego mal formado e tentam provar algo a alguém? Tentam demonstrar àquele namoradinho sacana que elas são superiores? Tentam provar à turma da escola que a arrogância delas tinha razão? Tentam provar que conseguem sair-se bem com a beleza?
Infelizmente não sei e creio que nunca saberei; mulheres desse tipo não podem ser mulheres, têm de ser objetos, máquinas distantes e perfeitas, sonhos de consumo. No dia em que se conhece uma delas, a miss deixa de existir, abrindo espaço para uma mulher. E aí o bicho pega. O que essa mulher vai dizer para ti? Quando ela disser que está com ciúmes, que está triste, que está de tpm, o tesão pela miss vai pelo ralo e o que sobra é uma mulher para se consolar. E aí que a miss deve sofrer no casamento, pois o marmanjo que se casou com ela casou-se com a máquina, e não com a mulher.
Esse é o lado da miss, vivendo de e na falsidade. Mas há mais coisas graves, como o fato da nossa sociedade imaginar que beleza é passível de julgamento. Óbvio que não, tanto que a miss preferida deste escriba (a da Polônia) nem chegou entre as dez primeiras. A partir do momento em que há a crença no julgamento da beleza, cria-se, então, um padrão de beleza. E aí fica aquela história de perseguir o tal padrão. Dependendo da mídia e de fatores sociais locais, essa perseguição enlouquece as garotinhas bonitinhas. Por exemplo, desde que chegou, na Índia, um método para tornar a pele clara, é comum que o sonho feminino seja o de participar deste método, mesmo que depois não se possa mais tomar sol ou tenha de se viver sempre com um creme por perto.
Concursos de beleza são cruéis, mas a culpa não é única e exclusivamente deles. Tais concursos demonstram como nossa sociedade não consegue formar o ego de alguém, e como necessitamos sempre criar e julgar um padrão. Mas enfim, não me importo se uma miss com o ego mal formado resolva telefonar para mim.

sábado, julho 15, 2006

Lost Thoughts


É estranho o modo como as coisas acontecem na vida das pessoas. Às vezes, temos certeza do que queremos, mas, de algum modo não entendido ou compreendido, perdemos tudo aquilo que mais amamos e/ou queremos. Talvez por acreditarmos que já conquistamos os nossos sonhos, ou por simplesmente pensar que "o jogo já está ganho", temos atitudes que normalmente não teríamos se soubéssemos que o "jogo" se ganha em cada lance, em cada passe. Cada chute pra fora ou na trave, tem uma diferença gigante no final da partida.
Não sei por que nos acomodamos e nos deixamos levar pela aparente sensação de domínio da situação. Aquilo que perdemos é tão precioso que só nos damos conta quando não mais temos isso. Há males que vêm pra bem, já dizia o velho ditado. De repente, seria a pessoa certa, só que na hora errada. Bom, se estou certo ou não, somente o tempo irá dizer. Daqui a muito tempo... ou não.
É... o tempo passa, o mundo gira e até as pedras podem se reencontrar. E é bom saber e conseguir compreender que a vida é feita de momentos: tristes ou felizes. Disso tenho certeza. Momentos bons são guardados para sempre, naquela gavetinha especial de memórias, e quando menos esperamos essa gaveta é aberta e vemos (ou lembramos) coisas boas que há muito estavam esquecidas. Já os momentos não tão bons parecem martelar nossa cabeça como uma marreta e são difíceis de serem colocados em gavetas. Alguns pensamentos nós queremos trancar em um baú e jogar ao mar, pra nunca mais ter de rever, mas acho que é pior. Devemos aprender a guardar os momentos bons e também os ruins para utilizar os ensinamentos que cada um nos deu no momento apropriado. Afinal, o bom de cair que se aprende a levantar.
Enfim, um ser humano sem lembranças é como uma árvore sem raízes. E nem todas as raízes de uma árvore são boas. Algumas são mais fracas e outras mais fortes. É isso que a faz firme: a união das raízes. Logo, se conseguimos unir as nossas "raízes" também nos tornamos fortes e firmes na floresta da nossa vida.

segunda-feira, julho 03, 2006

Orfandade


Estávamos órfãos de boa política; órfãos de segurança; órfãos de sincerdade; agora estamos órfãos de futebol. A nossa válvula de escape emperrou... e o que escapou foi o hexa. Eu pretendia falar de outra coisa essa semana, mas com esse evento apático de sábado, terei que falar do Brasil. O que faltou pra nossa querida seleção?! Não foi falta de entrosamento em quadrados mágicos, triângulos perfeitos, ângulos obtusos miraculosos; foi falta de união e motivação. Um treinador que dava entrevista a contra gosto, dando repostas secas e, muitas vezes, grossas; jogadores acomodados - bom, revejam o Roberto Carlos "tomando sol" no jogo do Japão -; a insistência em jogar com nomes, e não com jogadores; a prepotência de ser o "penta-campeão" do mundo.
Felipão deu garra àquele time desacreditado de 2002, deu com o que sonhar, botou ordem na casa, apontou um objetivo, isso com os mesmos Cafu, Roberto Carlos, Ronaldo, e ainda tinha o Rivaldo; Parreira confiou demais em suas estrelas da Hollywood do Futebol - assim como, por exemplo, Pekerman confiou demais em seus dançarinos de tango -, acreditou que eles fariam tudo sozinhos, e acabou vendo uma tragédia Grega.
Que isso sirva de exemplo pra próxima copa, para que o treinador que venha não se sujeite a ser comandado por jogadores veteranos, quando o correto deveria ser o contrário.
Esse texto é mais um desabafo que qualquer outra coisa. Perdoem-me se sou enfadonho.
Abraços